Familia Cotrim

Notas


Francisco Xavier Fagundes Cotrim

BIOGRAFIA: Estabeleceram-se (ele e Francelina ) na fazenda Jardim em 1843.
Francisco e Ana Angelica venderam uma parte da fazenda Barro Vermelho em 1841 para o tenente Prudenciano de Brito Teixeira

FALECIMENTO: faleceu na Fazenda Jardim


Exupério Fagundes Cotrim

Exupério Canguçu, personagem do livro "Sinhazinha" de Afrânio Peixoto


Desembargador Otaviano Xavier Cotrim

Otaviano, nascido em 1840 e bacharelando-se em Direito em 1869 (portanto, contemporâneo de Castro Alves), tomou parte na Guerra do Paraguai, chegando ao posto de Capitão. Regressando, dedicou-se à advocacia e à política, aonde chegou a ser vereador. Foi nomeado Juiz Municipal de Santa Isabel do Paraguaçu (atual Mucugê) e depois Juiz de Direito de Minas do Rio de Contas, sendo, logo em seguida, nomeado para a capital como Juiz da Vara de Casamentos e, por fim, Desembargador do Tribunal de Apelação, como então se chamava o Tribunal de Justiça do Estado, pelo Governador Joaquim Manoel Rodrigues Lima, em 1892. Era casado com Ilidia Ribeiro Guimarães, sobrinha da esposa de Antônio D’Araújo Castro, fundador do Banco da Bahia, que, não tendo filhos, criou esta sobrinha como filha. Faleceu no dia 11 de janeiro de 1899 em Itaparica e não deixou descendência.


Leolino Pinheiro Canguçu

Os Castros dos sertões baianos originaram-se do tronco comum do Tenente Coronel Joaquim Pereira de Castro que, em 1765 veio de Portugal encarregado pelo herdeiro de Dona Joana Guedes de Brito, vender terras da Sesmaria da Casa da Ponte, na região de Minas do Rio de Contas. Fixou residência em Vila Velha e não voltou ao reino. Criou numerosa família, cujos descendentes espalharam-se para diversas regiões. Alguns se estabeleceram na Tapera, vizinha a serra do Guariru, nome que recorda as ruínas onde Gabriel Soares edificou para si o “último repouso” e onde morreu. Pertencia, então, à Freguesia do Desterro do Outeiro (Cachoeira).

O fundador desta família baiana foi João Antunes da Silva Castro, estabelecido em Curralinho (Castro Alves). Casou-se com Ana da Silva Castro, com quem teve quatro filhos: Luís Antunes, Clemente Antunes, Ana Constança e José Antônio. Percorriam o alto sertão como Procuradores da Casa da Ponte.

Por motivo de briga com espancamento em Curralinho, Luís Antunes teve de fugir para o sertão; em caminho entre Cachoeira e Caetité foi assassinado pelo tropeiro Raimundo Antônio, ou, segundo outra versão, foi morto por um homem que protegia a mulher de quem se enamorou.

Clemente Antunes e sete companheiros, “os periquitos, soldados do terrível batalhão de Silva Castro”, entraram em sua casa, em Caetité e o assassinaram mandando as orelhas para o Major José Antônio. O Conde da Palma mandou prender os criminosos, mas estes se livraram, afiançados. Estava vingado o irmão.

O “Testamento de José Antônio da silva Castro” (o outro irmão), também conhecido como “Periquitão”, escrito em 20 de outubro de 1844, declara: “declaro mais enquanto não vir aqui o dr. José Antônio Alves (noivo de sua filha Brasília, mãe de Castro Alves) ou o sr. João Evangelista dos Santos (seu cunhado, casado com Ana Constança), para tomar conta de suas pupilas, tomará conta das casas e das filhas menores o meu irmão Clemente Antunes da Silva Castro”.

Quem foi buscar as moças foi seu cunhado que, em 15 de novembro do mesmo ano, se habilitava à tutoria, em Monte Alto, assinando o termo no dia seguinte.

Clemente Antunes acompanhou as sobrinhas para Curralinho e viu-se envolvido nos terríveis acontecimentos que se seguiram ao rapto de Pórcia, por Leolino Canguçu.

Além de João Evangelista, vieram também seu filho Clemente Castro Santos e seu genro Feliciano de Aquino Tanajura e uma escolta de 20 homens.

Nesta descida para Curralinho, a comitiva pousou e demorou cinco dias no sobrado do Brejo do Campo Seco, próximo a Brumado, fazenda de Inocêncio Pinheiro Canguçu, amigo de Periquitão.

Depois de continuarem a viagem, um dia ou dois, Leolino, à frente de um grupo armado, assaltou a comitiva, na Passagem de Santana, um dos pousos do roteiro da viagem, e raptou Pórcia, trazendo-a de volta ao Sobrado.

Segundo Afrânio Peixoto, “os encantos de Pórcia enfeitiçaram o jovem Leolino, já casado; os cinco dias no Brejo custaram-lhe a reputação, o futuro e a vida”.

Feliciano e Clemente voltaram arregimentando uma força de 30 homens, enquanto João Evangelista e o resto da comitiva apressavam a viagem para a segurança da casa.

Sabe-se que o prazo de retenção de Pórcia foi de três semanas, quando, após violenta luta, a 16 de dezembro, foi levada para Curralinho.

Mas a luta continuou; os Castro aliaram-se aos Moura, inimigos dos Canguçus, e as represálias foram terríveis.

Leolino foi assassinado em Minas na localidade São Miguel, onde se refugiara, em 1850. De Pórcia pouco se sabe, constando que teria se casado, em Curralinho.

Sinhazinha é o título de um romance publicado em 1929 do escritor brasileiro Afrânio Peixoto, que retrata a luta travada entre os familiares de Castro Alves e as famílias Moura e Pinheiro-Canguçu.

A história de amor da jovem Pórcia de Castro com o denodado Leolino Pinheiro Canguçu foi um fato marcante na vida do sertanejo de Brejo do Campo Seco, bem como as contendas dos Silva Castro e Mouras versus Canguçus e o rapto da menina Pórcia por Leolino.

Leolino era um rapaz de boa aparência, muito inteligente e um verdadeiro gentleman! Um Galanteador das moças bonitas, não obstante a tudo isso ele era um homem casado. E bem casado por sinal. Era filho do fazendeiro Inocêncio Pinheiro Canguçu e de dona Prudência Rosa de Santa Edwirges. Casou-se com Rita Angélica Meira e teve uma filha de nome Seramis Canguçu Cotrim. Ele nasceu na antiga fazenda Brejo do Campo Seco, em Brumado, no ano de 1826 e faleceu em 1847, na cidade de Grão Mogol – Minas Gerais.

Na história de sua morte há um fato relacionado com a cidade de Montes Claros, pois foi à milícia montes-clarense que o deteve na cidade de Grão Mogol, conforme carta do amigo José Ferreira Franco, datada de 16 de setembro de 1847. Destemido por natureza o jovem Leolino não acatou a voz de prisão e foi alvejado no telhado de uma casa de mulheres o que lhe causou morte instantânea.

Aliás, o idílio desses dois jovens foi tema do livro “Sinhazinha”, de Afrânio Peixoto e do livro “ABC de Castro Alves”, de Jorge Amado. Também outras dezenas de livros trazem notícias do “Idílio de Pórcia e Leolino”. Segundo Afrânio Peixoto, em afirmativa sobre o caso, ele disse que “… aqui sobrevivem amor e ódio, num mundo de vastas terras dominam os sentimentos e fazem jorrar o sangue da vingança; é a luta na defesa dos valores do sertão brasileiro, onde a beleza da mulher traz a paixão súbita e a vingança que se arrasta por gerações”.

Entretanto, o mais completo documento sobre o idílio desses dois jovens foi escrito por Licurgo Santos Filho, num admirável livro de memórias intitulado “Uma Comunidade Rural do Brasil Antigo”.