Familia Cotrim

Citacoes


Leolino Xavier Cotrim

1Amir Cotrim, Estudo sobre as origens da família Cotrim, manuscrito, cópia com Francisco Cotrim Miranda.
"Era um tipo pioneiro: altura mais que mediana, moreno claro, olhos azuis, espaldado e empreendedor. Foi proprietário da Fazenda Lagoa da Pedra em Caetité (Bahia)
Em uma região de terras pobres e seca; 700 a 800 quilometros do litoral, em época que a população do Brasil era, mais ou menos, de 5 ou 6 milhões de habitantes, conseguiu fazer fortuna com pecuária, lavoura e mineração.
Lembramo-nos de te-lo ouvido contar que, certa vez na Bahia, com grande numero de escravos, desviaram um rio (provavelmente o rio Brumado, ou um outro afluente do Rio de Contas) e , poucos dias depois, fortes chuvas na cabeceira do mesmo, trouxeram torrente que destruiu a barragem e o trabalho de meses. Mas em poucos dias que fizeram a cata de diamantes no leito seco, deu para pagar todas as despesas e ainda sobrou dinheiro.
Levava cargueiros de ametisitas (pedras semi-preciosas) para Salvador, onde os compradores eram os alemães - ao preço ótimo para a época de quatrocentos mil reis a arroba.Essas ametistas eram extraidas do Brejinho das Ametistas.
Além de escravos, terra e dinheiro que deixou para as três filhas casadas que ficaram na Bahia, trouxe para São Paulo muitos escravos e numerário para adquirir fazenda já produzindo café. Comprou a fazenda em São Carlos por mais de 65 contos de réis (quantia elevada para a época).
Nascido em 1834 e tendo se mudado para o Estado de São Paulo em 1878, naquele rincâo pátrio cresceu, labutou e constituiu família durante 44 anos.
Casou-se em 1855 com Ludgeria Pereira, nascida em 26/3/1837n - estatura baixa, morena, cabelos pretos e lisos, olhos escuros (provavelmente com parte de sangue índio).

1877 foi o ano em que Leolino comprou fazenda no Estado de São Paulo.

" Em 1877, houve uma famosa estiagem que provocou o êxodo da gente do sertão; os efeitos da seca foram calamitosos, com a perda de quase todo o gado de criar e das plantações" - Lycurgo - op.cit.

"Finalmente estavam esgotados os filões auríferos na região das minas. Então, no Nordeste devastado, sem matas, com terras gastas e solo sêco, deslocou-se a prosperidade para o Sul, onde o café, no último quartel do século XIX, a cultura de café entrara em acelerada prosperidade" - Lycurgo - op.cit.

Estando a região sem grande futuro e a família aumentando, Leolino resolveu mudar-se para as terras do Sul decantadas pela sua fertilidade e proprias para o cultivo do café. Comprou fazenda em São Carlos do Pinhal, provavelmente por intermedio de um genro, pois segundo notas de seu punho, a mesma foi adquirida em 1877 e a mudança para o Estado de São Paulo, com a família, se deu em 1878. Neste ano, 1878, já tem acento em seu caderno de venda de café em Santos.

A fazenda em São Carlos, se chamava Fazenda Conceição, a poucos quilometros da cidade na região denominada Babilonia.
Com a esposa, seis filhos e um neto (Julio Cesar de Faria) parentes e grande numero de escravos, em lombo de cavalos e burros, partiu da Fazenda Lagoa da Pedra em 7 de Fevereiro de 1878 e chegou a São Paulo em 10 de Abril do mesmo ano.
Portanto, em sessenta e poucos dias, atravessaram parte do Estado da Bahia, o Estado de Minas Gerais, por campos e matas, transpondo rios, em jornada de mais de mil quilometros, até alcançar a terra da promissão.

Lembramo-nos de ouvi-lo contar que camaradas práticos em vedar sertões, iam adiante, e preparavam pouso para o pernoite e refeições, em lugares apropriados. Iam deixando assinalado o caminho a percorrer.

Sendo a Fazenda Conceição pequena para sua atividade e dos filhos, adquiriu, em começos da década de 1890, uma grande fazenda na zona de Ribeirão Preto, próxima ao povoado de Pitangueiras, para onde se mudou com a família. A Fazenda Santa Vitória tinha quase 2.000 alqueires e outras propriedades agrícolas foram sendo adquiridas até as proximidades de hoje, cidade de Bebedouro.
Na Santa Vitória e nestas outras, ele e os filhos plantaram mais de um milhão de cafeeiros.

FAZENDA SANTA VITÓRIA
======================

Leolino Xavier Cotrim era um homem empreendedor, esclarecido e evoluido para a época. Filhos e netos estudando em colégio superiores. Benfeitorias da fazenda muito boas - a casa da sede era uma casa grande, de 10 ou 12 comodos, tendo grande terraço na frente e em um dos lados da mesma. De outro lado a casa dava saída para um grande pomar, com muitas variedades de frutas.Ainda conhecemos a casa velha da fazenda, servindo de paiol e próxima aos currais.
A nova sede estava afastada dos currais uns 250 metros, quando era regra quase geral que a sede fosse junto aos mesmos.
Dispunha a fazenda, já na primeira decada do século XX, de muitos terreiros, sendo um ladrilhado para secagem do café lavado em tanque lavador; uma máquina para beneficiar café, junto a grande tulha; uma bem montada serraria, até com serra inglesa, para das vigotas retirar tábuas, caibros e ripas; moinho para fubá de milho; olaria para a produção de tijolos e telhas; telefone ligando a fazenda à Pitangueiras; água encanada; luz elétrica com gerador próprio, movido por uma grande roda hidraulica, em época que ainda muitas cidades do interior não dispunham ainda destes melhoramentos (década de 10).
A fazenda possuia terras muito boas e era grande produtora de café. As matas tinham muita madeira-de-lei e assim a serraria trabalhava diariamente, serrando grandes toras de perobas, cedros, ipês-roxos, etc.
O gado não era muito, umas 300 cabeças mais ou menos, na maior parte, de criar.
Todo sábado era dia de matança de uma vaca gorda.
Os bois de carro eram 40 ou 50, pois os carroções eram muitos e puzxados por 4 ou 6 bois.

Em 1912, com a avançada idade de quase 80 anos, em companhia de sua filha América e genro, João Pedro Antunes, fez uma viagem à Europa, de mais de 6 meses, percorrendo quase todos os paises. Depois, gostava de mostrar aos visitantes, na fazenda, cartões com fotografias do que mais lhe havia agradado no passeio.
Na primeira decada do século XX começaram a chegar à fazenda os colonos italianos, que em poucos anos eram quase a totalidade dos que trabalhavam no cafezal e nas roças.
As casas dos colonos eram de tijolos, telhas, rebocadas e caiadas. Eram do outro lado de um córrego, se avistando de casa-grande, uma linha de umas trinta e tantas casinhas brancas, na elevação, além do referido córrego.
Afastada da sede havia uma capelinha, para orações e missa em dia de festa.

Quando os trilhos da Estrada-de-Ferro São Paulo-Goiás atravessaram as terras da fazenda, foi construida uma estaçãozinha, onde o trem deixava vagões para o embarque de café beneficiado.

As terras de Santa Vitória iam até o perímetro urbano de Pitangueiras, distante 4 ou 5 quilometros da sede.

Leolino foi chefe-político em Pitangueiras e pertenceu a Guarda Nacional, com o posto de Coronel.

Existe rua central em Pitangueiras com seu nome: Rua Leolino Xavier Cotrim

Faleceu na Fazenda Santa Vitória, com a idade de 90 anos e foi sepultado no Cemitério Municipal, no ano de 1924."

2Professor Daniel Joaquim Rodrigues (Titular da Cadeira de História da Escola Estadual Orminda Guimarães Cotrim), Estudo sobre a História de Pitangueiras.
"TENENTE - CORONEL LEOLINO XAVIER COTRIM

A causa principal da fundação de Pitangueiras, foi talvez, pela necessidade de pouso dos tropeiros. Pitangueiras e outras localidades vizinhas dependiam dos grandes centros (Santos, São Paulo, São Carlos do Pinhal, Araraquara, etc.), cujo trajeto era feito por terra em tropas de muares. Foi de São Carlos que para cá veio um ilustre baiano chamado Leolino Xavier Cotrim, o qual destacamos um pouco de sua vida a seguir.

O Coronel Leolino Xavier Cotrim, nascido nas cidade de Caitité, no Estado da Bahia, de onde transferiu-se para o município paulista de São Carlos do Pinhal, donde era grande proprietário de terra. De São Carlos, Leolino Cotrim decide rumar-se para o vilarejo de Pitangueiras para adquirir terras, fez negócio com Joaquim Moço , de quem comprou um grande quinhão de terra por quarenta conto de réis.
Esta área, que até hoje é conhecida como Fazenda Santa Vitória era constituída de uma casa principal (residência ou sede) e algumas casas de barro ou de pau-a-pique. A principal divisa dessa fazenda era a da Fazenda Jacutinga de propriedade da senhora Bernardina Cândida de Jesus que continha 2.370 alqueires de terras, o grande latifúndio local.
Levantando de duas em duas casas, Leolino Cotrim, construiu várias colônias em sua fazenda e iniciou a maior plantação de cafeeiros da região (aproximadamente um milhão de árvores).
O Coronel Cotrim é considerado como que um dos fundadores de Pitangueiras. Era possuidor de uma moral elevadíssima, modesto e patriarca. Sua família era grande e todos era influenciados por sua moral e retidão.
Foi um grande estimulador do progresso local. Politicamente, quase nao agia, deixando esta prática para seus filhos, destacando José e João Batista Cotrim, que estiveram entre nossa comunidade ocupando cargos de Juiz de Paz, Vereador, Presidente da Câmara e Prefeito Municipal, além de grandes proprietários.
Seu filho João Batista Cotrim, major da extinta Guarda Nacional e detentor de grande prestígio político e tino administrativo, era casado com a também baiana Orminda Guimarães Cotrim, a quem Pitangueiras homenageia como patrona de uma majestosa escola pública, cujo o destacado nível de ensino o faz conhecida em toda região.
Leolino Cotrim era casado com a Senhora Ludogéria Cotrim, desse casamento vieram os filhos Antônio, João Batista, José, Lausinda Cotrim Avellar e América Cotrim Antunes, casada com João Antunes, pessoa muito admirada em nossa comunidade.
Como homenagem a este personagem, cuja importância para o desenvolvimento econômico, social e político de nossa cidade é grandiosa, se faz singela, apenas com a nomenclatura de uma da mais importantes ruas da cidade."

3Erivaldo Fagundes Neves, SAMPAULEIROS TRAFICANTES:COMÉRCIO DE ESCRAVOS DO ALTO SERTÃO DA BAHIA
ARA O OESTE CAFEEIRO PAULISTA, Revista Afro Asia n24 (2000).
"O principal líder do empreendimento escravista sertanejo, Leolino Xavier Cotrim era coronel da Guarda Nacional, filho de Manoel Xavier de Carvalho Cotrim e Joaquina de Brito Gondim. Deixou Caetité com Ludgéria Pereira Cotrim - filha do capitão Manoel Pereira da Costa e Emiliana Ribeiro da Costa, fazendeiros de muitas terras atualmente na jurisdição de Pindaí - BA e vizinhanças, - seis filhos, genros, noras, um neto (o futuro desembargador Júlio de Faria) e mais parentes, agregados e escravos", em 7 de fevereiro de 1878, depois de longa seca que dizimara lavouras e criações. Partindo de sua fazenda Lagoa da Pedra, chegou a São Carlos do Pinhal em 10 de abril do mesmo ano, viajando a cavalo e em carros de bois, os escravos a pé, percorrendo aproximadamente mil quilômetros. Estabeleceu-se inicialmente na fazenda
Nossa Senhora da Conceição da Babilônia. "Por volta de 1890 comprou, na região de Pitangueiras, próxima de Ribeirão Preto", dois mil alqueires de terra. Posteriormente incorporou novas fazendas ao seu patrimônio. Faleceu com 90 anos, em São Carlos do Pinhal - SP, em 18 de agosto de 1924."


Francisco de Brito Gondim

1Dário Teixeira Cotrim, O Distrito de Paz do Gentio - e a história sucinta de sua decadência (A "Penna" editora gráfica ltda.), pg.30.
"Foi o cidadão Francisco de Brito Gondim um dos Juízes Ordinários que participou da criação da vila de Caetité, em 1810."

2Revista do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia,nro 58, pg 108.
"A 9 do referido mez e anno ainda sob a Presidencia do mesmo Ouvidor, teve lugar a sessão de posse da primeira câmara do Caetité, que ficou constituída dos seguintes cidadãos. Antônio Caetano Villasboas e Francisco de Brito Gondim, juízes; José Domingos da Silva, Manuel da Silva Pereira e José Joaquim Ribeiro, vereadores; e Antônio de Souza Maciel, procurador (Em 09 de julho de 1810)."


Ana Angelica de Jesus

1Erivaldo Fagundes Neves, Uma Comunidade Sertaneja - Da Sesmaria ao Minifundio, Apendice III-pg167.
"Escritura de doação de um terreno (constituição de uma capela) a Nossa Senhora do Livramento.".
Texto do Inventário.


Julio Cesar de Faria

1Amir Cotrim, Estudo sobre as origens da família Cotrim, manuscrito, cópia com Francisco Cotrim Miranda.
"Estudou Direito em Recife - Pernanmbuco.
Foi juiz de Direito em cidades do interior do Estado de São Paulo e na Capital, tendo chegado a Desembargador e ocupado a Presidência do Tribunal de Justiça do Estado. Como escritor publicou livros e pertenceu ao Instituto Histórico e Geográfico do Estado de São Paulo."